Inspeção identifica 1,3 milhão de medicamentos injetáveis irregulares em farmácia de manipulação em SC
24/03/2026
(Foto: Reprodução) Mais de um milhão de medicamentos injetáveis irregulares foram localizados na farmácia de manipulação em Palhoça (SC)
Anvisa/ Divulgação
💉Mais de um milhão de medicamentos injetáveis irregulares, de vários tipos, foram localizados e interditados na farmácia de manipulação HKM Farmácia de Manipulação Ltda (Essentia Pharma), em Palhoça, na Grande Florianópolis, durante uma inspeção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Vigilância Sanitária do estado.
Segundo a agência, o local operava em escala industrial sem a exigência de prescrição médica, além de apresentar "falhas críticas nos processos de esterilização de produtos". Foram encontradas 1.356.488 unidades pré-produzidas que já estavam à espera de futuros consumidores mesmo sem receita — o que é proibido.
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🔎 A produção em qualquer farmácia de manipulação, conforme a Anvisa, "só pode ocorrer para atender a uma prescrição específica, prévia e individualizada".
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O g1 procurou a Essentia Pharma, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem. Em uma rede social, no entanto, a empresa respondeu um comentário sobre o assunto, dizendo que "segue operando normalmente, sem qualquer interdição, e está em processo contínuo de adequação às exigências das autoridades".
O que acontece quando um produto é interditado?
Segundo a Anvisa, os produtos interditados devem permanecer no local até a conclusão do processo administrativo sanitário e a definição de sua destinação final — geralmente o perdimento. Nesse período, é proibida qualquer forma de movimentação desses itens. A vigilância sanitária local é responsável pelo monitoramento, e a empresa deve prestar contas sobre o estoque interditado.
Após o flagrante, é aberto um processo administrativo sanitário, no qual a empresa pode exercer o direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme previsto em lei. Quando o processo é concluído, são definidas as penalidades cabíveis, que podem incluir multa e outras sanções — entre elas, o perdimento dos produtos —, conforme estabelece a Lei Federal nº 6.437/1977.
Risco de contaminação
Outro problema constatado foi a fragilidade na prevenção de contaminações, segundo a Anvisa.
A equipe constatou risco de contaminação biológica, ou seja, por microrganismos como bactérias e fungos, em decorrência da forma como o processo de manipulação era conduzido e dos materiais que entravam em contato com as formulações.
A equipe interditou a linha de produção dos medicamentos esterilizados por “envase asséptico", que é quando a formulação é inserida em recipientes também esterilizados, que devem ser vedados hermeticamente, de forma a impedir a entrada de ar, gases ou outras substâncias.
A esterilização, conforme a agência, é uma etapa necessária e essencial na produção de medicamentos injetáveis, pois garante que o medicamento final esteja livre de microrganismos.
Na farmácia, também foram encontrados insumos de tirzepatida sem os testes e controles adequados, estabelecidos na Nota Técnica 200/2025, que estabelece diretrizes rígidas e padronizadas para a importação, controle de qualidade e manipulação desses insumos.
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